quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Das entrelinhas

Querido meu,

Você me fez mais feliz do que eu julgava ser possível. Entretanto, já não consigo conviver com o seu olhar indiferente, com o seu amor em putrefação. Não me despedi pessoalmente porque eu sei que não conseguiria. Mas escrevo essa carta com sangue, sangue que verte do meu peito aberto, com o coração exposto, pulsante. Coração que você guardou em uma caixa junto com coisas importantes e que agora devolve ao lugar sem fechar a ferida. A cicatrização é lenta, eu sei. Mas eu te privo de acompanhar esse processo doloroso. Vou-me. Para sempre. Para o mundo. E espero nunca mais o encontrar.

[Pegue-me no colo, diga que ainda me ama e que me quer aqui, junto de você, para que embalsamemos o nosso amor]

Adeus,

F.

15 comentários:

Cristal disse...

mais um de nao conter...
o olhar indiferente eh um dos pesares mais dolorosos de uma relaçao, creio eu.

adoro tuas palavras saboreaveis.

ao que me referi no post anterior foi sobre o "Quem me enganou fui eu."

familiar no sentido de que tantas e tantas vezes nos nos enganamos... e pior, sabemos que isso, de uma forma ou de outra, vai acontecer de novo... rsrs
faz parte.

beijocas jo!

Ane Talita disse...

Despedidas, indiferenças, essas coisas fodem com a nossa vida...
É incrível como vc consegue passar esses essas partidas nos seus textos...Adoroo!
beijo!

Luca disse...

Eu não gosto das palavras 'nunca' e 'pra sempre'. Não só porque não somos donos do tempo, mas tb porque mudamos nossas opiniões e sentimentos, de acordo c as situações.
Pode-se querer ir, mas a ida pode durar um breve momento. Dirá o amor!

Beijoooo

F. S. Júnior disse...

este me lembrou aquele outro, aquele que ela enterrava o passado no ceminetério mais próximo...rs

Proibida disse...

O título desse post poderia ser "vou ou não vou?". rs

Esses processos, em geral, ferem, é verdade. E acho certo privar o outro de ver os estragos que as circunstâncias causaram.
:)

Johny Farias disse...

Vai depender dele agora, né?

Xi não é nada, mó velho o all star
rsrs

Beijo's Jô

Juliana Caribé disse...

Acho que o título deveria ser "Vôo".
Adorei o "Querido meu,".

Beijos.

SAMANTHA ABREU disse...

Adeus que dói.
E qual não dói?!
;D

um beijo, Jô!

Júnior Creed disse...

Isso me lembrou uma carta que escrevi a uma pessoa, há algum tempo. a difença é que me referi a ele como "ao meu que nunca foi meu". sua carta me refez revisitar lembraças de uma época ruim, mas que me deixou mto aprendizado.

Mila disse...

Dona Jô anda numa fase de despedidas, pelo jeito.
Apesar de tristes, são belíssimas.
Espero que sejam apenas literárias.
=)

Beijo

Mr. Ziggy disse...

Ah, por que não tomei vergonha na cara e não te li antes?! Amei o texto, as palavras, a poesia. Você é realmente boa e evidencia uma sensibilidade muito bem usada a seu favor. Bjos e o prazer, claro, é todo meu! Linkei-te!

Camilinha disse...

é sempre assim, não é?! Difícil partir quando ainda existe sentimento. Ainda mais difícil partir para preservar o que resta de sentimento...

Gostei muito.

beijos daqui...

Camila disse...

Senti uma pitada de saudade neste texto e lembrei-me de um trecho de Neruda:
(...)
Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficam pra trás,
É o gosto de morte na boca dos que continuam.
(...)

Muito lindo o texto.

Lúcia disse...

Ai, esse ir sem querer ir, mesmo envolvida por uma dor que sufoca... Será que existe algum jeito de fazer dos relacionamentos experiências um pouquinho menos dolorosas...?

Juliana disse...

Há tantas linhas entre os poucos caminhos...

A paixão envolve cada texto seu de maneira sublime.
beijos