terça-feira, 13 de novembro de 2007

Dos Diálogos Memoráveis IV*



Eram namorados, amantes, apaixonados. A grande diferença de idade por diversas vezes foi o mote de brigas. Ele, aos 41 anos, queria sossego, estabilidade e segurança. Ela, aos 20, queria apenas viver, sentir, experimentar, ainda que o mesmo homem, de várias formas, pelo tempo que julgasse agradável.
Ele muitas vezes insistiu que as pessoas olhavam diferente para eles na rua. E ela sempre respondia que não sabia, porque não olhava para elas, apenas para ele e, no começo, para o chão, para não tropeçar. Até descobrir que era uma preocupação vã, ela não corria esse risco, flutuava quando estava com ele. Ele sorriu, descrente.
Certa noite, sem nenhuma data especial, ele resolveu dar-lhe flores de presente, preparar um jantar, luz de velas, tudo... perfeito. Quando já estavam na cama, ofegantes e com a garrafa de vinho tinto vazia ao lado da cama, ele disse:
- Espera, eu vou buscar uma coisa.
Ela se senta na cama envolta pelo lençol.
- Pronto.
Ele pega uma das mãos dela, olha no fundo dos seus olhos e diz:
- Casa comigo?
Abre uma caixa com um par de alianças. Ela o olha com um olhar interrogativo.
- Eu quero ter filhos contigo.
Ela levanta da cama, começa a se vestir, fita-o com os olhos marejados. Coloca a mão no seu rosto, dá-lhe um beijo sofrido.
- Eu te amo. Muito. Mas você conseguiu estragar tudo.
Sai. Bate a porta. E nunca mais volta.

* Baseado num diálogo muito, muito real.

12 comentários:

F. S. Júnior disse...

Oscar Wilde dizia que "os homens casam por cansaço e as mulheres por curiosidade, ambos se frustram"... não sei por conta de que, mas ao ler o teu texto, me lembrei disso...

P.S.: Obrigadão pela visita e espero vê-la por lá mais vezes...

F. S. Júnior disse...

acho que casamento é escolha e decisão, exige maturidade, o que falta sempre... o vacilo é casar achando que está casando por amor ou coisa que o valha... pois o amor, nesta forma como aí vemos, é um sentimento egoísta, que exige a entrega total do outro e quase nenhuma nossa... se as pessoas casassem para conhecer a alma do outro, seria uma revolução... pois não se casaria para si, mas para o outro...
beijão

Mila disse...

Isso me pareceu uma situação vivida por uma conhecida minha. Inclusive, vou manda o link daqui para ela dar uma olhada. rs

Eu sempre passo aqui. O problema é que de vez em quando as caixas de comentários se recusam a funcionar e eu não tenho como dizer um oi para as pessoas que eu leio. Hoje funcionou geral e aproveitei pra colocar em dia meus comentários.

Sobre a Danni Carlos, ela tem muita música boa gravada. Mas a maioria é em inglês e quase todas são regravações. Essa aí parece que é de autoria dela mesmo.

Bjs

Edgar Sollers disse...

Minha cara, Jô. Seu diálogo foi daqueles de me roubar as palavras. Há um capítulo que trata disso na "Insustentável Leveza do Ser", chamado O Pequeno Léxico das Palavras Incompreendidas. Palavras que eram as mesmas, mas diziam coisas diferentes para cada um. Seu texto versa sobre as amarras, sobre a liberdade, sobre os "nós"... Preciso pensar a respeito... ( desta vez foi você quem me deixou pensando )

fragmentos: Lady Libertine disse...

Bom.. passei por situação semelhante e o carinha é 10 anos mas velhor que eu!!!

Quando ele falava em ter filhos... em casar... em ter isso e aquilo, eu tinha uma tempestade de sentimentos eu cheguei a sentir ansia de vomito com as palavras dele...

Não que ele tenha estragado tudo... eu nem cheguei a desejar isso!! Nunca pensei que ele fosse o homem da minha vida... mas essas palavras dele só me afastavam mais e mais...

=********** muahhhhhhhhhhh

Camila disse...

Oi, moça. Amei o texto. Passei por situação semelhante... rs

Seu texto já está no meu perfil do orkut, junto com Caio Fernando Abreu e outros feras, escancarado para quem quiser ver. :)

Beijos

F. S. Júnior disse...

Ri muiito agora... acho que quando adicionei o teu link foi no dia do sono..rsrs Fragmentos do Jô... ficou muito hilário... mas já foi corrigido e obrigado pelo lembrete... beijão

Zaira Brilhante disse...

Oi... te achei no blog da mila... :)

Eu entendo a situacao... e eh incrivel, mas me identifico sem ter vivido exatamente isso, mas acho que eh porque seria capaz de viver... apesar de me soar "errada" a atitude, acho que faria o mesmo... mas nao da pra saber agora...
to te adicionando no fine*** bjs!!

Cris... disse...

Oi Jo, dessa vez demorei um pouco mais, mas voltei pro café, pro chocolate e pras torradas também... (rs). Pois é, lendo aqui, outro belo diálogo, putz, mas não sei fiquei com pena do cara (rs). Sei lá, incrível como certas coisas possam "estragar" tudo... Quanto ao que me aconteceu, qq. dia posto sim e te aviso, ok? Beijão Moça! Ah, tem bolo tb? (rs). Eu volto(rs)

F. S. Júnior disse...

fiquei a imaginar o Jô em frangalhos, despedaçado...rs

Lucia disse...

Opa moça, voltei pro café!

Não tive como evitar ler o comentário de cima: quem quer despedaçar o Jô?!! =DD

Interessante este fragmento aqui... eu meio que evito esse tipo de situação quando eu vejo que a coisa caminha nesse sentido. Já me relacionei com homens de dez anos a menos até dez anos a mais do que eu, e uma coisa eu percebi: a maioria deles, dos trinta, trinta e cinco em diante, querem é casar e sossegar mesmo. Curioso isso. Por outro lado a maioria das mulheres anda querendo, como vc bem escreveu, "viver, sentir, experimentar". Admito que sou uma delas. E ando tentando fugir de uma situação parecida com a que vc descreveu. Deve haver uma explicação pra esses comportamentos... se vc souber, avise! =)

Beijos

Juliana disse...

cof, cof...

nossa, hein?

vc e sua criatividade nesses contos me surpreendem, moça

sempre adoro isso aqui
bjus