sexta-feira, 4 de abril de 2008

Dos casos mal resolvidos


Parte II

Um mês depois daquela noite regada a declarações de tempos distantes, sentimentos escondidos até de si mesmos e superegos pleonasticamente repressores, os dois formavam um típico casal de apaixonados com direito a telefonemas-relâmpago para dizer apenas que pensara no outro ao longo da correria do dia, bilhetinhos por toda parte, olhares brilhantes, mãos dadas e semi-sorrisos solitários e repentinos ininteligíveis e, na maioria das vezes, imperceptíveis aos demais.

Isadora nunca se relacionara com alguém com tamanha experiência de vida. Lucas se assustava com a diferença de idade, mas não conseguia parar de olhá-la e imaginar como seria um filho deles dois. Queria que tivesse os olhos e os cabelos dela. E a gargalhada também.
Ela o via como o melhor homem do mundo. Achava-se a sortuda das sortudas. Ele era um achado.

- Casa comigo?
- Hã?!
- A gente tá junto já tem dois meses e eu tenho certeza de que é você. Pra quê adiar mais o que pode ser tão bom?
- Eu não tenho nem emprego, Lucas! Casar?
- É, e ter filhos! E eu ganho bem, dá pra nós dois.
- Não, mas não é assim simples.
- Por que não? Eu peço transferência pra outra cidade que pague mais e tenha um custo de vida menor, tu vais comigo.
- Não, não vou.
- Se você gostasse mesmo de mim iria...
- Se você gostasse mesmo de mim ficaria.
- Temos um impasse?
- Não. Eu não vou me casar com você. Tenho dezenove anos, isso é demais pra mim.
- Você vai sempre se esconder atrás da sua idade?
- E você da sua? Alegando sempre que está numa idade que te faz precisar de estabilidade e blá blá blá? As coisas não precisam ser assim tão sérias.
- Então é uma brincadeira pra você?
- Não, mas também não precisa se transformar num casamento.
- Ok. Vou te levar em casa.
- ...

Ainda no estacionamento do prédio dele se abraçaram, choraram, pediram desculpas e subiram novamente para dormir abraçados sem dizer palavra.

Passaram um ano às voltas com tais questões: ele a pedindo em casamento periodicamente acreditando que a venceria pelo cansaço e ela se esquivando como podia sem magoá-lo. As alianças que ele comprara começavam a ficar cansadas e opacas...

10 comentários:

Ane Talita disse...

Iiiii...O que será que vai acontecer....

beijo, bonita!

Critical Watcher disse...

É a dualidade entre a razão e a emoção, né? Espero que, quando mais amadurecida, ela case com ele. Saudades de você, Jô... Ah, nem sei se faz tempo que você modificou sua imagem lá em cima (estou sem tempo mesmo), mas eu gostei demais do novo visual.

Beijos!

Mr. Ziggy disse...

Xiii, e agora? Ela está certa em não aceitar, se realmente não quer. Mas e ele, pô? Se eu tivesse no lugar dele não sei se saberia esperar muito... quando os objetivos são diferentes demais e não podem se adaptar um ao outro, aê a história, pra casamento, complica. Aí é importante esperar se a espera vale a pena...
Texto muito envolvente, viu? Deliciei-me. Bjos!

Camilinha disse...

ás vezes, é preciso ficar em silêncio... e dizer somente o necessário para sobrevivência...rs

o que se faz quando duas pessoas que querem ficar juntas têm objetivos, desejos e vontades totalmente diferentes?

beijos daqui...

Eduardo Trindade disse...

O cotidiano retratado de maneira realista, mas com as luzes e o foco colocados cuidadosamente nos detalhes mais plásticos. Gosto disso...
É sempre um prazer me deliciar na tua literatura. Abraços!

Bárbara (B.) disse...

O diálogo me trouxe lembranças escondidas... difícil isso. Muito bom a série, Jô. É a última parte? Não, né?

Ah, não tinha visto que eu era uma diva, que chique! Vou ficar me sentindo agora. :P

Beijos, linda.

Ps: Eu também to com saudade dos nossos papos. Você ta tão sumida. Te vejo só por aqui e raramente pelo orkut. Como ta a vida?

FINA FLOR disse...

casar? nem pensar, rsrsr*

beijos, querida

MM.

ps: ficou muito bonito o novo lay, parabéns!!!

Cabraforte disse...

nossa belo meio!


quero ver fim logo!!


bj

nj.marabuto disse...

o que tem que ser, é.


beijo

Camila disse...

expectativas desleais, diferenças de idade e situações mal resolvidas. aiii extremamente familiar. rsrs

um beijo, menina querida