domingo, 21 de outubro de 2007

Auto-retrato


Quando crescer, quero ser prosa...
uma prosa poética.
Se for difícil,
serve uma poesia prosaica.

Gosto de barulho de água,
não gosto de pessoas bipolares.
Detesto laranjado e acho que não ficaria bem sem cabelos...
Por isso não sou budista.

Leio revistas de ponta a ponta,
uso até marcador de livro e
nem o corpo editorial passa despercebido.
Não consigo largar um livro no meio.
Falando neles, já comprei pela capa,
já dei de presente e me arrependi.
Queria um perfume com cheiro de livro novo.

Não sou católica.
Sou covarde, segundo Dawkins.
Tenho déjà vus e não sei explicá-los.
Temo o que não entendo.

Não concordo com Drummond às vezes,
mas sempre me delicio lendo-o.
Rubem Fonseca mexe com meus instintos,
por sorte meu inconsciente sabe guardar segredos.

Prefiro dias nublados a ensolarados.
Não gosto de elevadores.
Não uso tênis nem jeans.
Não sei se me namoraria.
Angustio-me com pouca coisa
e choro por menos ainda.

Tenho o pensamento fragmentado...
minha lógica nem sempre é muito lógica.
Não tolero que me subestimem
e tenho medo do contrário.
Tenho medo de muitas coisas,
mas poucas me paralisam.

Tenho um diário não diário,
não gosto de obrigações...
nem de rimas e formas fixas.
Sempre uso agendas até os três primeiros meses do ano,
depois as abandono numa gaveta qualquer.
E não tenho paciência de Jó.
O meu acento é circunflexo.

Tenho dúvidas, muitas dúvidas
E nenhuma certeza.
Mas quem precisa delas?

2 comentários:

Lorraine disse...

Não imaginava que vc tinha tantos dotes... estou amando este bloggg!!!
Parabéns Jô!!!! Vc escreve muito bem, continue sempreee!!!

Telma Monteiro disse...

Oi, Jô!

Vc permitiu, então... Postei esse poema no Benjamim e o Seu Jardim (acompanhado de um pequeno comentário).
Dê uma olhada. Ah!Coloquei uma imagem...
Abrç!